Nasci na Transilvânia e sempre me lembro de cantar desde muito pequenina (gosto muito da minha cidade – Brasov). Lembro-me que adorava assistir aos espectáculos do Teatro Musical e ficava fascinada pela música, pelo palco, pelas luzes, pelos cenários e por todo aquele mundo que, para mim, ainda fazia parte do meu mais secreto imaginário. Igual a isso, só os contos de fadas que eram a minha leitura preferida.
Os meus pais pertenciam ao coro da Orquestra Filarmónica da nossa terra, o que me permitiu ter acesso à música erudita na sua melhor expressão. Foi graças a eles que se me tornou familiar todo aquele mundo artístico.
Com seis anos comecei a aprender música e a tocar piano e então percebi logo que queria ser artista. Nesta altura adorava imitar os cantores conhecidos. A música era do que mais apreciava, mas também gostava muito das línguas estrangeiras e de praticar desporto.
Tinha eu dezassete anos, quando conheci Valentina Cretoiu. Era uma famosa soprano da Ópera de Bucareste e a intérprete preferida de G. Enescu e dos maestros mais conceituados (Ionel Perlea, George Georgescu, Emanuel Elenescu e Egizio Massini). Valentina Cretoiu teve uma carreira de nível nacional e internacional muito valiosa e foi elogiada pelo seu talento e interpretação do repertório lírico. Fiquei encantada e muito reconhecida por ela me aceitar como sua aluna.
A minha vida mudou tanto desde então, que é graças a ela que o público me conhece e hoje a considero a minha mãe espiritual.
Estudei na Academia de Música de Cluj durante cinco anos, aperfeiçoando o canto e o repertório operático e de concerto. Enquanto estudava, participei em concursos internacionais e ganhei prémios com considerável importância internacional (estávamos nos anos 80 e vivendo o regime comunista, o que me abriu as portas para a actual carreira internacional).
Era solista da Ópera de Cluj quando, com 24 anos ganhei o 1º Prémio do Concurso Internacional de Canto de Paris. Um dos membros do júri foi José Blanco, então administrador da F.G.Gulbenkian. Foi a convite dele que cheguei a Lisboa pela 1ª vez e vim interpretar o papel de Charlotte com Alfredo Krauss na ópera Werther de J. Massenet no T.N.S. Carlos.
Prossegui a minha carreira na Roménia, interpretando vários papéis operáticos: Cármen, Suzuki, Dorabella, Cherubino, Maddalena, Rosina, Isabella ,Fenena, Marina Mnisek.
Interpretei repertório de concerto com as orquestras sinfónicas de Brasov,Bucareste, Iasi, Timisoara e Sibiu, entre outras. Gravei também espectáculos de rádio e de televisão e fui convidada para actuar em vários países do mundo: Finlândia, Suíça Áustria, Turquia, Itália, Brasil, Hungria, Holanda e Alemanha, etc.
Por razões familiares fui viver para Israel. O meu filho tinha então 2 anos, mas prossegui a minha carreira artística e a partir daí continuei a fazer tourneés (não estava já condicionada ao regime político romeno).
Vim viver para Portugal em 1988 onde ainda resido e que considero como a minha 2ª pátria. Aqui cresceu o meu filho e a partir de Portugal continuo a aceitar contratos para espectáculos em todo o mundo e a fazer aquilo de que mais gosto, como quando era pequena: cantar.
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